Editorial

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Gestação e doença hemorroidária

Gestação e doença hemorroidária

A doença hemorroidária representa talvez a mais importante afecção colorretal que se manifesta durante a gravidez e o puerpério. É considerada significativa a freqüência dessa afecção, por obstetras e gestantes, freqüentemente consideram a ocorrência de sintomas ou complicações atribuíveis à doença hemorroidária como parte das transformações fisiológicas que normalmente ocorrem durante a gravidez.

Durante a gravidez, ocorrem diversas mudanças fisiológicas que podem favorecer a manifestação de hemorróidas. A constipação é resultante, entre outros fatores, da inibição do músculo liso intestinal pela progesterona ou por obstrução mecânica do útero gravídico. A suplementação de ferro realizada durante a gestação também leva à constipação. Associadamente, verifica-se aumento do volume circulatório em 25% a 40%, o que promove a dilatação e o ingurgitamento venoso. O aumento do volume uterino também pode dificultar o retorno venoso dos plexos hemorroidários. As mudanças hormonais contribuem para o aumento da vascularização cutânea e intensificam o relaxamento do tecido conjuntivo.A intensidade das mudanças que se verificam na gestante é maior no segundo e terceiro trimestres da gravidez, período em que as hemorróidas se manifestam.

Os sintomas da doença hemorroidária são mais comumente o prolapso dos botões hemorroidários que leva à irritação anal e prurido e a dor que está mais freqüentemente associada à congestão duradoura ou trombose hemorroidária. O sangramento e o prolapso se seguem à evacuação. Quanto maior o esforço evacuatório e quanto mais endurecidas estiverem as fezes, maior a chance de se verificarem sintomas.

O tratamento da doença hemorroidária em pacientes gestantes compreende:

- Alterações na dieta: objetivam diminuir o esforço evacuatório e favorecer a passagem de fezes não-endurecidas a fim de diminuir o trauma sobre as hemorróidas levando à redução ou parada do sangramento e à prevenção da trombose hemorroidária. Para tanto, encorajam-se a ingesta hídrica e de fibras bem como a prática de exercícios leves (como caminhar). A fim de aumentar a quantidade de fibra dietética, é recomendado o consumo de farelo de trigo ou de cereais de caixa tais como All-Bran®, Müsli® ou Granola® na quantidade mínima de duas a três colheres de sopa cheias diariamente. Agentes formadores de bolo fecal (Metamucil® e fiber norm) ou associados a laxativos leves (Naturetti® e munvilax®) devem ser empregados a fim de se obter evacuação diária sem esforço.

- Tratamento da trombose hemorroidária: a trombose hemorroidária representa complicação freqüente durante a gestação. Define-se pelo engurgitamento venoso, edema e dor importante associados à presença de trombos em um ou mais mamilos hemorroidários que podem ou não ser identificados à inspeção. A trombose hemorroidária parece ocorrer após traumatismo anal produzido pela passagem de fezes endurecidas e o estado congestivo da gestação parece favorecer sua ocorrência. O banho de assento com água morna por 15 minutos deve ser realizado diversas vezes ao dia e tem propriedades analgésicas reconhecidas ao produzir diminuição da congestão anal por relaxamento da musculatura esfincteriana. O tratamento medicamentoso compreende uso de analgésicos (o paracetamol pode ser utilizado de forma segura durante a gestação em dose máxima diária de 4g)

- Tratamento cirúrgico: o tratamento cirúrgico eletivo da doença hemorroidária (hemorroidectomia) durante a gestação representa risco adicional à gestante e ao feto devido à possibilidade de indução de trabalho de parto prematuro, ocorrência de sangramento e cicatrização deficiente das feridas, deve ser postergada para após a resolução da gestação. O tratamento cirúrgico deve ser realizado somente em situações especiais, devendo avaliar a possibilidade de realizar com anestesia local. Nossa experiência indica que a doença hemorroidária mesmo complicada pode quase que invariavelmente ser manejada sem cirurgia durante a gestação. A opção de postergar o tratamento cirúrgico no nosso entendimento alia a vantagem de realizar operação mais definitiva após a concepção.

Dr. Tarcísio Carneiro - CRM 4366

Por: Dr. Tarcisio Carneiro - CRM 4366

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